quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Curiosidades da história das artes plásticas de MS

As artes plásticas foi a primeira expressão reverenciada pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), na programação especial de outubro, que comemora os 30 anos de criação do Estado. Depois do sucesso da exposição que foi inaugurada no museu de Arte Contemporânea (Marco), no último dia 2, composta de obras de 30 artistas que representam a trajetória das artes plásticas de Mato Grosso do Sul até os dias atuais, aconteceu ainda no Museu da Imagem e do Som (Mis), uma palestra com o consagrado artista, Humberto Espíndola, primeiro artista do centro-oeste brasileiro que conseguiu projeção nacional. A palestra aconteceu no último dia 4 e conseguiu dar ao público presente um panorama da história e dos artistas do Mato Grosso Uno e depois da divisão. 

Humberto Espíndola é um artista de um senso de humor aflorado. Iniciou o evento dizendo que não é um palestrante oficial e que estava mais acostumado é conversar com turmas de crianças nas escolas do Estado. “Eu sempre conto para elas que descobri meu talento, fazendo desenhos com a mangueira d’água, nas paredes do quintal da minha casa. Naquela época, Campo Grande era uma poeira só. As chimbicas levantavam o pó na cidade inteira e o serviço das crianças era limpar o quintal”, disse. 

Em 1h20, Humberto contou muitas curiosidades sobre a época de sua infância. Segundo ele, naquele tempo, ninguém estimulava os jovens a fazer carreira artística. Havia muito preconceito. “Ninguém dizia: Olha como ele desenha bem! Vai ser artista! Diziam: Ele vai ser engenheiro!”,observou. Ao contar sobre seu início como artista plástico, lembrou que aos 13 anos foi para São Paulo, capital, para fazer aulas de pintura, pagas por um tio que percebeu seu talento. “Ao entrar na casa do meu mestre, fiquei deslumbrado com todos aqueles quadros que eu via! Ele era aquele típico pintor de boina e barba branca. E sempre perguntava o que eu queria copiar”, afirmou. Neste momento é que teve suas primeiras aulas de perspectiva. E depois de fazer seus desenhos, o professor fazia os retoques e finalizava um quadro totalmente diferente. “Com o tempo não quis mais estudar pintura e a partir daí é que começou a nascer realmente o artista Humberto Espíndola”, explicou. E abriu um parêntesis: “O pior sentimento que um artista pode ter é a vaidade. Achar que sabe tudo. O artista tem que ter auto-crítica. Um trabalho sem auto-crítica, não é nada!”.

Depois que volta de São Paulo, teve a oportunidade de ver a artista Lídia Baís pintar um de seus quadros alegóricos, pois apesar de ser uma mulher reclusa, era gentil e simpatizava com os pais de Humberto. Ele rememorou fatos curiosos sobre a vida de Lídia. “Na época que aconteceu a Semana de Arte Moderna de São Paulo, na década de 1920, Mário de Andrade enviou cartas para a Lídia Baís. Só que naquela época a mulher era muito reprimida. Numa cidade de 17 mil habitantes, como era Campo Grande, onde todo mundo morava em volta da igreja matriz, uma mulher artista era considerada louca. Ela não teve coragem de participar, mas ela poderia ter sido uma Anita Malfatti” lamentou. Ainda de acordo com ele, Lídia tinha pureza de coração e era uma pessoa muito mística. Ele sempre a via quando acompanhava a mãe à missa. 

Lídia pintou cerca de 100 quadros. “Ela é principal ícone da nossa cultura. Alguém que sofreu tanto na mocidade, tem que ter sua obra recuperada”, disse Humberto Espíndola.

Após falar sobre Lídia, o artista plástico lembrou de alguns artistas estrangeiros que vieram para Mato Grosso de 1930 a 1950. Muitos vieram para a região trabalhar como fotógrafos e depois tornaram-se pintores. Entre eles estavam os espanhóis Miguel Perez, que montou uma lojinha chamada Fábrica de Quadros na rua Calógeras, e José Hidalgo, que fazia fotografias políticas. Havia também os pintores Antônio Burgos, Mário Bodis e as pintoras Iná Metelo, Hernestina Carmo e Inês Correa da Costa.

Humberto Espíndola contou também sobre a década de 60, época em que foi estudar jornalismo em Curitiba-PR. Na faculdade, estudou história da arte e voltou a pintar, depois de um longo período sem produzir, desde a adolescência. Neste período, o seu lema era escandalizar. Começou a pintar telas de mulheres com grandes olhos, e começou a ser chamado de pintor moderno. Neste momento, é que ele conhece sua futura parceira de trabalho Aline Figueiredo, uma moça rebelde, filha de fazendeiro do Pantanal. Foi ela quem iniciou um movimento cultural em Campo Grande e teve a idéia de fazer a 1ª Exposição dos artistas Mato-Grossenses. Desta exposição, participaram 17 artistas, entre eles: Dalva Maria de Barros, o corumbaense Jorapimo e Ilton Silva “Aline Figueiredo sempre foi uma mulher muito persistente. Para a exposição, ela queria trazer como jurado o diretor do Museu de Arte Moderna de São Paulo (Masp), Pietro Bardi. Só que ele não aceitou o convite. Mas não dando-se por satisfeita, ela foi bater na porta de nada mais nem menos do que o poderoso Assis Chateaubriant, dono do Masp. Ela sabia que ele queria descentralizar a arte brasileira e conseguiu convencê-lo a mandar Bardi para ser jurado da mostra”, contou. Além dele, foram jurados da mostra Parisi Filho e Valdemir Martins. A exposição aconteceu no Rádio Clube. O artista Reginaldo Araújo ficou com o 1° prêmio, seguido de Jorapimo e Dalva Barros. 

Mas segundo Humberto, esta história não teve um final muito feliz. O diretor do Masp participou da primeira mostra a contragosto e depois fez duras críticas aos artistas mato-grossenses numa das revistas culturais mais lidas na época. “Esse foi um golpe duro para mim e para a Aline. Só que fizemos um pacto. Iríamos estudar muito para conseguir realmente sermos artistas que conseguissem representar o Mato Grosso nacionalmente. Mato Grosso não existia no cenário nacional. Iríamos começar a escrever a história das artes plásticas do Estado. Depois de 2 anos perseguindo este objetivo é que consegui criar a série de obras que fala sobre a Bovinocultura. Em 1967 ganhei o prêmio no salão de artes plásticas de Brasília tendo conquistado os críticos do Rio de Janeiro e São Paulo. Depois disso, Pietro Bardi até ficou meu "amigo”, comemorou Humberto.

Com o reconhecimento nacional, Aline Figueiredo e Humberto Espíndola fundaram a Associação de artistas plásticos de Mato Grosso que reuniu a primeira leva de artistas plásticos mato-grossenses, nos anos 70. Surgiu nessa época, a conhecida Conceição dos Bugres. Neste momento universidades estavam instalando-se em Mato Grosso, sendo que a Universidade Federal de Mato Grosso fixou-se em Cuiabá. Foi criada então a Associação Mato-grossense de Arte que tinha sua sede na UFMT. Esta associação organizou um museu dentro da universidade que foi um marco para a cultura do Estado. “Esta iniciativa permitiu uma programação cultural e deu início à formação do público cultural de Mato Grosso”, explicou o artista plástico.

Em 1977, ocorre a divisão do Estado e inicia-se um movimento cultural idealizado por Henrique Spengler para buscar-se uma identidade para o Mato Grosso do Sul. “Para encontrar uma identidade, o artista tem é que trabalhar, produzir muito”, observou Humberto. A partir deste movimento aparecem nomes como Jonir Figueiredo, Miska, Lúcia Barbosa, Nelly Martins, Teresinha Neder, Áurea, Ana Ruas, Ana Carla Zahran, Thetis, Lu Sant’ana, Genésio Fernandes, Carlos Nunes, Vânia Pereira, Neide Ono, José Nantes, Fernando Marson, Roberto Marson, Juracy, Cecílio Veria, Isac Saraiva, Elis Regina Nogueira, Irani Brum, Bucker, Heron Zanata e Ovini Rosmarinus, que buscavam a afirmação da arte sul-mato-grossense em diversos salões de arte brasileiros. Humberto Espíndola afirmou que “nos salões são doadas muitas obras, sem critério algum. Tem muita porcaria também, mas as premiações valorizam os artistas e formam a base dos acervos históricos”.

Uma das funções da arte é criticar a sociedade, mostrar o que não querem ver. A arte lê o pensamento de um período histórico. O artista deve refletir seu meio ambiente. A obra tem que ter força social, durabilidade. Humberto apontou Evandro Prado, Douglas Colombelli, Priscila Paula Pessoa e Patrícia Rodrigues como a última geração de artistas que vêm apresentando um trabalho crítico para a sociedade de Mato Grosso do Sul e dão força para a arte Sul-mato-grossense. 

Após discorrer sobre a história das artes plásticas, o palestrante falou ainda sobre a influência da arte dos países que fazem fronteira com o Estado. “A arte que se faz hoje nos países fronteiriços tem uma alma semelhante no colorido e na quantidade de elementos.Deveria-se ser feito um projeto cultural no centro da América do Sul, já que existem muitas semelhanças musicais e artísticas entre os povos da região. Na rota cultural entre Assunção, Pedro Ruan Caballero, La Paz e Campo Grande existe um público latente de cerca de 5 milhões de pessoas que não pode ser desprezado. Mas os artistas não olham para o interior e preferem depender do eixo Rio-São Paulo. Devemos criar um circuito interno, encadeado e independente”. Ainda segundo o artista Humberto Espíndola, os artista sul-mato-grossenses acostumaram-se com seu isolamento. E para agravar esta situação, afirmou que existem salas e espaços culturais, mas não existe o financiamento de projetos para a circulação das obras. Mas lembrou da contribuição que o Festival de Inverno de Bonito e o Festival América do Sul vêm dando às artes plásticas ao fazer o intercâmbio e divulgação de artistas. 

“Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, atualmente estão empatados na produção de artes plásticas de maneira harmoniosa. O problema da identidade não existe. A gente tem muita coisa a fazer para a composição da arte sul-americana. Temos um papel muito especial na América Latina. Os políticos têm que ter consciência disso”, finalizou Humberto Espíndola.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

HUMBERTO ESPÍNDOLA


Humberto Augusto Miranda Espíndola (Campo Grande MS 1943). Pintor e desenhista. Forma-se em jornalismo na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná, em 1965. No ano seguinte, organiza a Primeira Exposição dos Artistas Mato-Grossenses, em Campo Grande, onde funda, em 1967, a Associação Mato-Grossense de Arte. Volta-se a temáticas regionais e produz pinturas inspiradas na bovinocultura. Cria, em 1973, o Museu de Arte e Cultura Popular, ligado à Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá, dirigindo-o até 1982. Realiza mural para o Palácio Paiaguás, sede do governo estadual de Mato Grosso, em 1974. Em 1977, recebe o prêmio melhor do ano em pintura da Associação Paulista de Críticos de Arte - APCA.  Em Campo Grande, é co-fundador do Centro de Cultura Referencial de Mato Grosso do Sul, em 1983, e realiza o Monumento à Cabeça de Boi, de ferro e aço, instalado na praça Cuiabá, em 1996. Apresenta mostra retrospectiva, em 2000, na Casa Andrade Muricy, em Curitiba, e, em 2002, no Museu de Arte Contemporânea, em Campo Grande, e no Museu de Arte e de Cultura Popular, em Cuiabá.
Comentário CríticoA produção de Humberto Espíndola parte do tema do boi, visto como símbolo da riqueza de Mato Grosso. Em Bovinocultura, realiza um retrato sarcástico da sociedade do boi, que é principalmente moeda e símbolo de poder. Em seus primeiros trabalhos, Espíndola apresenta o animal envolto em penumbra, provocando estranheza. A efígie do boi, em suas telas, é colocada em um primeiro plano, ou isolada em um oval central, ganhando a dimensão de nobreza de um retrato. Em Glória ao Boi nas Alturas (1967), utiliza uma deliberada frontalidade do animal, em torno do qual se acumulam máscaras, imprimindo ao quadro um ritmo dinâmico.
Alguns quadros possuem um sentido simbólico, com a utilização das cores da bandeira brasileira. Em outros, emprega crachás e medalhas, que remetem a exposições agro-pecuárias. Como nota o crítico Frederico Morais, Espíndola humaniza o boi, para denunciar a vontade de poder do ser humano, como ocorre em O Tirano (1984). Já na série Arqueologia do Boi - Boi Branco (1993), destacam-se o uso de tonalidades rebaixadas e o caráter mágico. O artista realiza posteriormente gravuras geradas e coloridas em computador, nas quais obtém grande potência no colorido, como em Vaca Escada (2001).
Humberto Espíndola tem também relevante atuação na divulgação da cultura regional criando, em 1974, o Museu de Arte e Cultura Popular, ligado à Universidade Federal de Mato Grosso.
OBRAS:

Boi-society

Boi-society

Bovinocultura

óleo sobre tela
Bovinocultura

Boi-bandeira

óleo sobre tela
Boi-bandeira
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ALEIJADINHO

Biografia resumida

Escultor, entalhador e arquiteto mineiro da arte barroca, considerado o maior escultor do período barroco.

Aleijadinho (Antônio Francisco Lisboa) nasceu em Vila Rica no ano de 1730 (não há registros oficiais sobre esta data). Era filho de uma escrava com um mestre-de-obras português. Iniciou sua vida artística ainda na infância, observando o trabalho de seu pai que também era entalhador.

Por volta de 40 anos de idade, começa a desenvolver uma doença degenerativa nas articulações. Não se sabe exatamente qual foi a doença, mas provavelmente pode ter sido hanseníase ou alguma doença reumática. Aos poucos, foi perdendo os movimentos dos pés e mãos. Pedia a um ajudante para amarrar as ferramentas em seus punhos para poder esculpir e entalhar. Demonstra um esforço fora do comum para continuar com sua arte. Mesmo com todas as limitações, continua trabalhando na construção de igrejas e altares nas cidades de Minas Gerais. 

Na fase anterior a doença, suas obras são marcadas pelo equilíbrio, harmonia e serenidade. São desta época a Igreja São Francisco de Assis, Igreja Nossa Senhora das Mercês e Perdões (as duas na cidade de Ouro Preto). 

Já com a doença, Aleijadinho começa a dar um tom mais expressionista às suas obras de arte. É deste período o conjunto de esculturas Os Passos da Paixão e Os Doze Profetas, da Igreja de Bom Jesus de Matosinhos, na cidade de Congonhas do Campo. O trabalho artístico formado por 66 imagens religiosas esculpidas em madeira e 12 feitas de pedra-sabão, é considerado um dos mais importantes e representativos do barroco brasileiro. 

A obra de Aleijadinho

A obra de Aleijadinho mistura diversos estilos do barroco. Em suas esculturas estão presentes características do rococó e dos estilos clássico e gótico. Utilizou como material de suas obras de arte, principalmente a pedra-sabão, matéria-prima brasileira. A madeira também foi utilizada pelo artista.

Morreu pobre, doente e abandonado na cidade de Ouro Preto no ano de 1814 (ano provável). O conjunto de sua obra foi reconhecido como importante muitos anos depois. Atualmente, Aleijadinho é considerado o mais importante artista plástico do barroco mineiro.






Carregamento da Cruz (escultura em madeira), Santuário de Bom Jesus de Matosinhos (Congonhas-MG)







Principais obras de Aleijadinho:

Talha

- Retábulo da capela-mor da Igreja de São Francisco em São João del-Rei

- Retábulo da Igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto

- Retábulo da Igreja de Nossa Senhora do Carmo em Ouro Preto


Arquitetura

- Projetos de fachadas de duas igrejas (Igreja de São Francisco em São João del-Rei e Nossa Senhora do Carmo em Ouro Preto).


Escultura

- Conjunto de esculturas do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos (incluindo as mais conhecidas: "Os Doze Profetas").





Profeta Daniel (pedra sabão), Santuário de Bom Jesus de Matosinhos (Congonhas-MG)







Você sabia?

- O Santuário do Bom Jesus de Matosinhos é Patrimônio Mundial da UNESCO. O adro é ornado com esculturas em pedra-sabão (estátuas dos Doze Profetas) feitas por Aleijadinho.

Arte Moderna

Arte Moderna

História do Movimento Modernista, artistas do modernismo, literatura e arte modernista, Semana de Arte Moderna de 1922.


Introdução 

Em oposição às formas clássicas, a arte moderna surgiu no final do século XIX em várias expressões artísticas como, por exemplo, pintura, escultura, literatura, arquitetura, fotografia e música. Embora não haja consenso sobre a datação deste período, muitos especialistas em arte consideram que o movimento vai até a década de 1970.

Os impressionistas, primeiros pintores modernos, geralmente escolhiam cenas de exteriores como temas para suas obras: paisagens, pessoas humildes, etc.   

Principais movimentos e correntes artísticas da Arte Moderna:

- Impressionismo

- Pós-impressionismo

- Fauvismo

- Cubismo

- Escola de Paris

- Neoplasticismo

- Expressionismo

- Surrealismo

- Concretismo

- Futurismo

- Pop Art

Principais características da Arte Moderna:

Objetivando romper com os padrões antigos, os artistas modernos buscam constantemente novas formas de expressão e, para isto, utilizam recursos como cores vivas, figuras deformadas, cubos e cenas sem lógica. O marco inicial do movimento modernista brasileiro foi a realização da Semana de Arte Moderna de 1922, onde diversos artistas plásticos e escritores apresentaram ao público uma nova forma de expressão. Este evento ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo. 

Não foi fácil para estes artistas serem aceitos pela crítica que já estava acostumada com padrões estéticos bem definidos, mas, aos poucos, suas exposições foram aumentando e o público passou a aceitar e entender as obras modernistas. 

A Arte Moderna está exposta em muitos lugares, em São Paulo ela pode ser vista no Museu de Arte Moderna, nas Bienais e também em outras formas de exposições que buscam estimular esta forma de expressão. 

Artistas brasileiros

Destacam-se como artistas modernistas brasileiros: Di Cavalcanti, Vicente do Rêgo, Anita Malfatti, Lasar Segall, Victor Brecheret, Tarsilla do Amaral e Ismael Nery.

Artistas estrangeiros

Destacam-se como artistas modernistas estrangeiros: Pablo Picasso, Matisse, Piet Mondrian, Fernand Léger, Georges Braque e Kandinsky.

Semana de Arte Moderna 



A Semana de Arte Moderna de 1922, realizada em São Paulo, no Teatro Municipal, de 11 a 18 de fevereiro, teve como principal propósito renovar, transformar o contexto artístico e cultural urbano, tanto na literatura, quanto nas artes plásticas, na arquitetura e na música. Mudar, subverter uma produção artística, criar uma arte essencialmente brasileira, embora em sintonia com as novas tendências européias, essa era basicamente a intenção dos modernistas.
Durante uma semana a cidade entrou em plena ebulição cultural, sob a inspiração de novas linguagens, de experiências artísticas, de uma liberdade criadora sem igual, com o conseqüente rompimento com o passado. Novos conceitos foram difundidos e despontaram talentos como os de Mário e Oswald de Andrade na literatura, Víctor Brecheret na escultura e Anita Malfatti na pintura.
O movimento modernista eclodiu em um contexto repleto de agitações políticas, sociais, econômicas e culturais. Em meio a este redemoinho histórico surgiram as vanguardas artísticas e linguagens liberadas de regras e de disciplinas. A Semana, como toda inovação, não foi bem acolhida pelos tradicionais paulistas, e a crítica não poupou esforços para destruir suas idéias, em plena vigência da República Velha, encabeçada por oligarcas do café e da política conservadora que então dominava o cenário brasileiro. A elite, habituada aos modelos estéticos europeus mais arcaicos, sentiu-se violentada em sua sensibilidade e afrontada em suas preferências artísticas.
A nova geração intelectual brasileira sentiu a necessidade de transformar os antigos conceitos do século XIX. Embora o principal centro de insatisfação estética seja, nesta época, a literatura, particularmente a poesia, movimentos como o Futurismo, o Cubismo e o Expressionismo começavam a influenciar os artistas brasileiros. Anita Malfatti trazia da Europa, em sua bagagem, experiências vanguardistas que marcaram intensamente o trabalho desta jovem, que em 1917 realizou a que ficou conhecida como a primeira exposição do Modernismo brasileiro. Este evento foi alvo de escândalo e de críticas ferozes de Monteiro Lobato, provocando assim o nascimento da Semana de Arte Moderna.
O catálogo da Semana apresenta nomes como os de Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Yan de Almeida Prado, John Graz, Oswaldo Goeldi, entre outros, na Pintura e no Desenho; Victor Brecheret, Hildegardo Leão Velloso e Wilhelm Haarberg, na Escultura; Antonio Garcia Moya e Georg Przyrembel, na Arquitetura. Entre os escritores encontravam-se Mário e Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Sérgio Milliet, Plínio Salgado, e outros mais. A música estava representada por autores consagrados, como Villa-Lobos, Guiomar Novais, Ernani Braga e Frutuoso Viana.
Em 1913, sementes do Modernismo já estavam sendo cultivadas. O pintor Lasar Segall, vindo recentemente da Alemanha, realizara exposições em São Paulo e em Campinas, recepcionadas com uma certa indiferença. Segall retornou então à Alemanha e só voltou ao Brasil dez anos depois, em um momento bem mais propício. A mostra de Anita Malfatti, que desencadeou a Semana, apesar da violenta crítica recebida, reunir ao seu redor artistas dispostos a empreender uma luta pela renovação artística brasileira. A exposição de artes plásticas da Semana de Arte Moderna foi organizada por Di Cavalcanti e Rubens Borba de Morais e contou também com a colaboração de Ronald de Carvalho, do Rio de Janeiro. Após a realização da Semana, alguns dos artistas mais importantes retornaram para a Europa, enfraquecendo o movimento, mas produtores artísticos como Tarsila do Amaral, grande pintora modernista, faziam o caminho inverso, enriquecendo as artes plásticas brasileiras.
A Semana não foi tão importante no seu contexto temporal, mas o tempo a presenteou com um valor histórico e cultural talvez inimaginável naquela época. Não havia entre seus participantes uma coletânea de idéias comum a todos, por isso ela se dividiu em diversas tendências diferentes, todas pleiteando a mesma herança, entre elas o Movimento Pau-Brasil, o Movimento Verde-Amarelo e Grupo da Anta, e o Movimento Antropofágico. Os principais meios de divulgação destes novos ideais eram a Revista Klaxon e a Revista de Antropofagia.
O principal legado da Semana de Arte Moderna foi libertar a arte brasileira da reprodução nada criativa de padrões europeus, e dar início à construção de uma cultura essencialmente nacional. S





    quarta-feira, 2 de novembro de 2016

    ARTE EFÊMERA


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    Efêmera é o mesmo que efêmero, um termo grego que significa “apenas por um dia”. Refere-se a algo passageiro, transitório, de curta duração. Todas as coisas que são efêmeras têm a característica de não durarem muito, de acabarem passado pouco tempo. Na natureza, existem flores que duram apenas um dia. São as flores efêmeras de determinados cactos, orquídeas e outras plantas. Os insetos do gênero Ephemera, que pertence à família dos Efemerídeos, possuem esse nome porque vivem apenas poucas horas. São insetos pequeninos, atingem no máximo quatro centímetros e habitam as margens dos rios ou locais de água doce. Arte efêmera é todo tipo de arte que não é permanente, ou seja, não perdura através dos tempos. São exemplos dessa arte os grafites, as esculturas em areia ou gelo, os coloridos tapetes de flores construídos nas ruas em celebrações religiosas, as instalações construídas para exibições momentâneas etc.

    Arte efêmera: Instalações, performances e happenings

    Muitas vezes, ao pensarmos em obras de arte, como uma pintura, por exemplo, imaginamos a Monalisa, de Da Vinci, ou O grito do Ipiranga, de Pedro Américo, ou, ainda, esculturas de mármore... Obras que permanecem ao longo do tempo e da história.

    Mas o que dizer de obras de arte pública, por exemplo? Muitas delas foram produzidas com a clara intenção de serem modificadas pela ação do tempo e, até mesmo, de desaparecer, como o grafite, os tapetes feitos com serragem, sementes e folhas - que, em algumas cidades, a população costuma fazer nas ruas, para a celebração de Corpus Christi ou da Semana Santa -, esculturas de areia ou gelo.

    E não podemos esquecer também das instalações, das performances e dos happenings, realizados por artistas contemporâneos, obras que existem apenas durante o tempo em que são realizadas, como a performance Homem-pão, de Tatsumi Orimoto:

    Divulgação


    Ou a obra/performance de Ronald Duarte, Nimbo Oxalá, na qual existe uma preocupação com a execução, como se fosse uma espécie de ritual, podendo ser pensada e lida do ponto de vista do produto realizado naquele momento, ou seja, uma grande coluna de gás carbônico formando uma escultura efêmera:


    Divulgação



    Segundo definição encontrada nos dicionários, efêmero é aquilo que é passageiro, temporário, transitório.



    Eterno/efêmero

    Contudo, nem toda obra de arte pública foi feita para desaparecer. Quando pensamos em monumentos históricos, por exemplo, a intenção é de que permaneçam com o passar do tempo. E performances e happenings podem ser registrados em audiovisual, sendo que, nesse caso, o que permanece é o registro e não a obra em si.

    Temas como a materialidade das obras de arte e a oposição eterno/efêmero são problematizados pela arte contemporânea, pois são questões extremamente ligadas à nossa realidade, ao mundo da velocidade em que vivemos, no qual as notícias de ontem já estão ultrapassadas.

    Um importante artista plástico brasileiro, que também discute a questão da durabilidade da obra de arte, é Vik Muniz. Em seus trabalhos faz uso de técnicas diversas e emprega, com frequência, materiais inusitados como açúcar, chocolate líquido, doce de leite, catchup, gel para cabelo, lixo e poeira, entre outros.

    Em algumas de suas séries, o produto final é a fotografia da obra, devido à perecibilidade dos materiais empregados.
    Divulgação



    Vik Muniz, Mona Lisa.

    Acima, nas réplicas da Monalisa, Muniz utilizou geléia e manteiga de amendoim. Depois fotografou. Trata-se, claramente, uma discussão sobre o eterno versus o efêmero.

    http://educacao.uol.com.br/disciplinas/artes/arte-efemera-instalacoes-performances-e-happenings.htm


    Valéria Peixoto de Alencar*
    Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação *Valéria Peixoto de Alencar é historiadora formada pela USP e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp. É uma das autoras do livro Arte-educação: experiências, questões e possibilidades (Editora Expressão e Arte).

    ARTE EFÊMERA COM MATERIAIS INUSITADOS -